Verificamos, com alguma frequência, classificações imprecisas de Arte Urbana e de Arte Pública que convirá desambiguar. Assim:

Arte Urbana, no sentido lato, é composta basicamente pelas manifestações artísticas que estão visíveis no espaço urbano. Se estiverem implantadas no espaço público serão, inequivocamente, Arte Pública.

Todavia, as peças nem sempre estão implantadas em espaço público, mas implantadas em espaço privado ou, ainda em espaço privado de uso público. Essa peças não serão Arte Pública continuando, contudo, a ser Arte Urbana.

O bairro Parque das Nações – porventura a nível nacional – será o espaço onde se encontra maior densidade de Arte Urbana, pública ou não, por área de território. Está pejado de exemplos nomeadamente ao nível da Plataforma de Embasamento (*) na Av. D João II, onde os arranjos exteriores ilustram o que acabamos de tentar explicar.

Por força do disposto no Artigo 22º, número 1, alínea a), do PU’99 – Plano de Urbanização de 1999, de 31 de dezembro, essa destrinça fica esclarecida quando se refere aos arranjos exteriores, artísticos ou não, colocados nas plataformas de embasamento dos edifícios, ou em outros locais entendidos pelos autores como convenientes para o enobrecimento da sua obra, determinando:

‘…

  1. A sua execução e manutenção constitui encargo dos respetivos proprietários.

…’

Um exemplo que entendemos como esclarecedor: quem entrar no bairro pela Rotunda da EXPO, a entrada mais a sul e nascente da Freguesia Parque das Nações, poderá ver do seu lado esquerdo uma eloquente manifestação de Arte Urbana a encimar o Edifício Écran: uma esfera armilar. Contudo, não é Arte Pública. Está colocada num edifício de condomínio privado, que é seu proprietário.

Outro exemplo: as obras que estão no cais de embarque da estação de metro Oriente: encontram-se em espaço privado de uso público. São Arte Urbana mas não Arte Pública.

Quanto às imagens dos trabalhos que iremos apresentando, são inéditas, colhidas, tratadas e especificamente destinadas à presente rubrica.

Quanto aos textos, considerando que escasseiam conteúdos originais identificativos de boa parte destas obras, sendo que, em onze delas, não é do nosso conhecimento que tenham sido batizadas pelos seus autores. Os textos, inéditos, poderão conter pequenas transcrições, ao tempo proferidas pelos mesmos autores. Nessa eventualidade, tais expressões encontram-se devidamente identificadas pelo lettering.

Os textos tiveram por base: (i) – a publicação Arte Urbana UrbanArt, edição da Parque Expo’98 SA, ou; (ii) – os textos constantes no sítio da CML dedicado a esta temática ou; (iii) – maioritariamente o nosso próprio conhecimento sobre o tema e sobre o território que – desde 1995 – acompanhámos diariamente e colaborámos no seu metamorfosear.

Tentámos condensar no mesmo número de linhas todo um mundo de motivos, sentimentos e Arte que tais obras encerram e nos oferecem. Face a tudo o fica por dizer – que é tanto – sobre cada uma das obras de Arte, esperamos poder contribuir para despertar um maior interesse de investigação e pesquisa, relativamente à Arte Urbana, pública ou não, na nossa freguesia.

Uma palavra de agradecimento para as pessoas que connosco colaboraram nas traduções e revisões dos texto nos diversos idiomas: AR, IF, MI, NM e RL.

Para estas pessoas, o nosso público agradecimento.

 

 

(*) Parte da edificação sobreelevada do terreno, sobre a qual se implanta a demais edificação desenvolvida em altura.