A Marina da Expo, hoje Marina do Parque das Nações foi um dos equipamentos fundamentais para o êxito da Expo’98. Foi palco de uma exposição náutica com milhares de visitantes, onde Portugal procurou dar a conhecer a sua profunda ligação ao Mar e aos Oceanos, enaltecendo  o trabalho efectuado pelos Portugueses que descobriram que os Oceanos da Terra estão ligados entre si e são, de facto, um único Oceano onde é possível unir toda a Humanidade pelas Estradas do Mar – a Via da Água.

Lamentavelmente, este equipamento foi “abandonado” pela “ParqueExpo” logo após o fecho da Expo, obrigando ao seu encerramento entre 2002 e 2009. Estes sete anos em que a Marina esteve convertida num enorme “Tanque de Lama”, conduziu a uma completa ausência de dinamização da Zona Sul do Parque das Nações que, naturalmente, tinha na Marina o seu equipamento âncora. Pese embora a sua reabertura em 2009 e, passados que foram dez anos, a Zona Sul ainda não conseguiu recuperar das mazelas do passado e a dinamização por todos almejada está ainda muito longe de ser uma realidade.

A Lei n.º 50/2018 de 16 de agosto, que prevê a passagem das áreas portuário-marítimas e áreas urbanas de desenvolvimento turístico e económico da cidade, não afectas à actividade portuária, para a responsabilidade da Câmara Municipal de Lisboa.  É um processo que se antevê ainda longo e, neste momento, se estivermos à espera este esteja concluído para então encetar uma estratégia de promoção, acabaremos por comprometer a dinamização da Zona Sul da nossa Freguesia, que tem, como atrás referido, a Marina como equipamento âncora.

Sem qualquer sinal da CML, pese embora ter anunciado que, com a extinção da ParqueExpo tudo seria diferente, foi com muito agrado que assistimos ao arranque da instalação de uma infraestrutura de “casas-barco”, semelhantes às que encontramos em canais de algumas cidades da Europa, e que ficará localizada na  Bacia Sul da Marina, entre o Edifício Nau e o Passeio de Neptuno, uma área que não é utilizada para o estacionamento de embarcações.

As imagens abaixo dão conta do arranque dos trabalhos na Bacia Sul da Marina.

 

As “casas-barco” terão várias tipologias, “T1, T2, T3…”, e a imagem abaixo dá conta da 1ª que chegou à marina e que se encontra neste momento a seco.

Pese embora este tipo de solução esteja bastante vulgarizado noutras cidades da Europa com canais ou lagos, no nosso caso, “a novidade” virá com certeza contribuir para uma maior atractividade da Zona Sul, com aumento do número de visitantes.

Viver e, naturalmente, dormir numa embarcação em águas calmas, é uma experiência inolvidável. A água tem um efeito de “embalar” e, as noites são aquilo que se chama “de um sono só”, altamente revigorantes.

Bem-haja a actual Administração da Marina que, mesmo perante ventos que não têm sido de feição, colocou mãos à obra nesta iniciativa que esperamos se venha a tornar um sucesso, e replicada noutros locais desta ou de outras cidades. Será uma forma de aproximarmos os Portugueses da água, e aprenderem a vivê-la para além da simples “Contemplação” a partir das muralhas que têm vindo a ser instaladas nas zonas ribeirinhas, sem qualquer acesso à “Via da Água”.