Começamos a perceber o funcionamento da Provedoria dos CTT ao não ter respondido, como era seu dever, aos dois pedidos de informação que lhe solicitamos em devido tempo através do próprio canal. Estava ( e ainda está ) em causa apenas um simples marco de correio situado junto à Esquadra da PSP no Parque das Nações.

Sendo CTT a marca com mais reclamações, superior a 101 mil só no ano de 2019, o que representa um aumento de 13,8% face a 2018, percebe-se agora o árduo e pesado fervilhar de actividade que terá tido a Provedoria em responder a todas elas. Se tiverem a nossa sorte, nem uma só terá resposta, a bem da qualidade do “serviço público”.

O sector das entregas de correio, e não só, é aquele que representa o maior potencial de queixas junto dos portugueses. Uma simples carta ou mesmo uma pequena publicação, chega a demorar dez a doze dias de Lisboa aos arredores do Porto. Se tomarmos como outro exemplo a Beira Interior, o laxismo corporiza o anedótico.

Onde antes havia mecanismos de cordialidade e uma certa afectividade entre o carteiro e a população, hoje assistimos a uma cultura de distanciamento entre o tarefeiro e o cliente.

Também na área do comércio electrónico o panorama assume uma dimensão de sufoco sem precedentes. Por dia, segundo próprio o CEO do Portal, são recebidas 275 reclamações.

Talvez espargido de incenso em nome da propalada moralidade do Serviço Público, como expressão cunhada pelo senso comum, possamos um dia ter ( novamente ) a marca CTT, guardiã zelosa da sua missão, sem aforismos dissimulados pelo lucro, muito menos ironias de superioridade sem botox.