Onde, na Constituição?

Sendo nós animais racionais, podemos questionar:

Onde é que na tão apregoada defesa da CRP – Constituição da República Portuguesa se alude à célebre frase do não menos célebre George Orwel ?:

Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros.

Cremos que não consta na lei fundamental do país.

*

E, como perguntar não ofende:

1 – Então, a ser verdade o que nos pretendem impingir – que somos mesmo todos iguais – por que motivo uns podem andar em autocarros e em carruagens de Metro apinhados de gentes, encostadas umas às outras, e não podem essas mesmas, ou outras, gentes estar sentadas a dois metros de distância num restaurante ou numa esplanada?;

2 – Se não podem realizar-se certos espetáculos, feiras ou ajuntamentos em locais ao ar livre, o que nos parece lógico nos tempos que percorremos, por que motivos – ou porque diabos – podem realizar-se outros eventos em espaços confinados?;

3 – Se alguns profissionais não podem ir de férias quando as têm marcadas e alinhamento feito para serem substituídos por colegas, por que motivo, um político pode ir de férias quando tem um cargo uninominal e está na presença de dezenas de mortos queimados?;

4 – Se todos somos iguais, por que motivo uns deixam de poder ser tratados e operados e relegados para portugueses de segunda dimensão humana?;

5 – Por que motivo não é obrigatória a incineração dos cadáveres cujo óbito esteja diretamente relacionado com este vírus, quando está provado pelas necropsias que o vírus não se extingue com a vida, durante largos dias?;

6 – Terão agora percebido os negacionistas que, como fazem no IRS para castigar os contribuintes por escalões, também as regiões, desde o primeiro confinamento, deveriam ter sido escalonadas para aplicação de medidas sanitárias, na justa dimensão das respetivas cargas virais nas populações ou sua disseminação?;

7 – Por que motivo se optou sempre pela gestão mais fácil, sem pensar com racionalidade e sem planear?;

8 – Se as autoridades de saúde sempre se acobertaram com as determinações da OMS, por que motivo, ou por que critério agora se determinam de forma diferente, para continuar a ministrar certo medicamento que a mesma OMS já deu instruções para que esse medicamento não fosse ministrado?;

9 – Se, por analogia com o que [não] fizeram com os ventiladores, ainda não foi mandado fazer o levantamento da rede/estrutura de frio no país, para acautelar o transporte e armazenamento certificados de determinada vacina, por que se prometeu às pessoas a aquisição de milhões de doses já em janeiro de 2021, sem se conhecer se é, ou não, logisticamente possível?;

10 – Porque falam em bazucas quando nem uma fisga se sabe quando vai chegar, contando com o ovo na origem, sem acautelar já uma gestão verdadeiramente consequente com as nossas diferentes realidades regionais?;

11 – Por que continuam a pavonear-se pelo país, desfasados da realidade instalada, continuando a exigir o PEC – Pagamento Especial por Conta, com base no exercício de 2019, a profissionais que inclusivamente já pediram ajuda ao Estado por estarem sem poder laborar desde há oito ou nove meses? Onde vão essas pessoas buscar o dinheiro para fazer o PEC se já recorrem a ajudas para a alimentação para o agregado familiar?;

12 – Se se confundem 477 surtos ativos de Covid-19 na escolas portuguesas, quando são 68, querem que acreditemos que estão a tratar destas matérias com a idoneidade que se exigiria?

13 – Poderão estas leviandades – de 1 para 7 – ser branqueadas com um mero ‘por lapso’ de quem calculou, ‘por lapso’ de quem disse e que não tem a mínima ideia de como estava a situação no dia anterior para perceber que tal número não seria possível e ‘por lapso’ de quem [não] conferiu?

14 – É com tal falta de rigor que estas mesmas pessoas vão acautelar as escalas de temperaturas a que os milhões de diferentes vacinas têm de ser transportados e armazenados?

15 – Porque se aventou um número de surtos sete vezes maior do que o real, quando anteriormente se falou de uma determinada forma só ‘para não haver alarme social’?

16 – Desta vez dava jeito multiplicar por sete para justificar alguma medida tomada ou a tomar?

17 – Até quando vamos estar entregues a estas sumidades na gestão da nossa saúde?

18 – Será que não há melhor no nosso país? Há, certamente, como já demonstraram! Só que não são apaniguados …

 

Agnóstica