Enquadramento e tomada de posição da AMEPN

 

Por gentil convite da ‘VIC Properties’, entidade promotora do projeto sobre o PPM – Plano de Pormenor da Matinha, na Av. Marechal Gomes da Costa tornejando para a R da Cinta do Porto de Lisboa, a AMEPN tem assento na Comissão de Acompanhamento do projeto, desde a primeira reunião em novembro do ano passado.

Consideramos ser um projeto que dinamiza, promove e enobrece a Zona Oriental de Lisboa, como continuação do projeto de reconversão desta zona da cidade, que teve o seu arranque com a realização da EXPO’98.

Todavia:

Ao termos apreciado a documentação distribuída com vista à preparação da reunião da Comissão, por videoconferência que ontem teve lugar, ficámos conhecedores de uma proposta constante no projeto daquele PPM.

A esse propósito, a AMEPN entendeu dever tomar posição, informando e esclarecendo os seus pares da Comissão de Acompanhamento em relação a uma das ações propostas no referido projeto.

Pelo respeito que nos merecem os nossos leitores, nomeadamente os Moradores e Empresários da nossa freguesia, aqui se transcreve o teor do mail endereçado à Comissão de Acompanhamento do PPM:

 

Aos membros da Comissão de Acompanhamento

Plano de Pormenor da Matinha

 

Exmas Senhoras,

Exmos Senhores,

 

Agradecemos o convite e cumprimentamos todos os elementos da Comissão de Acompanhamento, que estiveram presentes na videoconferência do dia 24JUN20.

Por ter ficado sem emissão de som, no momento destinado pelo Senhor Moderador para intervenções de outra natureza, cumpre aqui referir o que, por uma questão técnica, não apresentámos de viva voz.

Gostaríamos de levar ao vosso conhecimento, em tempo útil, e deixar à apreciação e consciência dos membros desta Comissão de Acompanhamento – porventura nem todos conhecerão – que o projeto em apreço, prevê a destruição de uma das 63 obras de Arte Urbana, neste caso Arte Pública, que compõem o património artístico e cultural da Freguesia Parque das Nações; e até da cidade de Lisboa.

O Instituto Camões classificou esta obra, para a qual o projeto em presença propõe a sua destruição, como uma grande obra aquando d’‘A recuperação da parte oriental da cidade de Lisboa…’ e uma alegoria à azulejaria nacional, fazendo menção à ‘… pertinência do uso do azulejo e da persistência portuguesa do gosto por monumentais revestimentos cerâmicos’.

Trata-se de uma obra da autoria do escultor Pedro Cabrita Reis – 1998, em homenagem à cidade de Lisboa. Daí a utilização somente das cores branca e preta da sua azulejaria – as cores da nossa cidade – como a dicotomia entre ‘o princípio da perfeição e da imperfeição, entre a claridade e a obscuridade’.

Desconhecemos se terá sido ouvido e informado o autor desta obra, para a qual este projeto propõe a destruição da sua arte.

É quanto, de momento, nos cumpre informar os membros da Comissão de Acompanhamento do Plano de Pormenor da Matinha, para melhor avaliação da proposta de destruição desta obra.

Na reunião pública em que estivemos presentes, na Junta de Freguesia de Marvila, não ouvimos falar da destruição da referida obra, pelo que , naquela altura, não apresentámos este nosso pedido de melhor avaliação.

Cumprimentos.