Aprecio a honestidade intelectual; já não me acontece o mesmo com o seu contrário.

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Trocando isto por miúdos; aliás, trocando seis por meia dúzia porque, dizem, a língua portuguesa é muito traiçoeira.

Vem agora o Senhor Primeiro Ministro dezer, a propósito de 6 mais 4 países se fecharem em relação a Portugal.

Oh Senhor PM, compreendo o seu raciocínio e acompanho-o nele. Mas não o acompanho somente porque esse raciocínio lhe seja conveniente, agora; mas porque é matemática e logicamente correto que o Senhor assim raciocine.

Contudo, teria igualmente apreciado esse seu rigor de raciocínio quando alguém, na estranja, aventou sobre um tal ‘milagre português’ e, por falta de honestidade intelectual, não me recordo de alguma voz do seu Governo, ou afeta ao mesmo, nem mesmo a sua, ter feito o mesmo raciocínio relacional que agora ensaiou. Ou seja:

O Senhor diz hoje, algo equivalente a: não se podem comparar grandezas diferentes. Até podem mas, para o presente efeito e porque devemos falar em percentagens, fiquemos assim, porque é de percentagem que deveremos falar, sempre.

Todavia, quando há umas semanas se falava de grandezas relativas, nomeadamente de uma que é 4 vezes maior em relação à realidade portuguesa, e tiveram o arrojo de comparar os valores absolutos de infetados e de óbitos entre ambas as grandezas relativas, como sustentação para o tal ‘milagre português’, não ouvi qualquer intelecto governamental com capacidade, ou por qualquer outro défice, apresentar-se para corrigir um raciocínio manifestamente enviesado.

Nessa altura, durante ‘n’ dias de propalação do ‘milagre’, V Exªs, por motivos que se adivinham, não tiveram a mesma destreza e fecharam-se em copas quanto a um raciocínio canhestro, não se tendo coibido de dele se aproveitarem.

Se tivessem tido a sobriedade de, ao menos, terem ficarem caladinhos, ainda poderiam usufruir do benefício da dúvida por terem optado pelo politicamente correto, de não quererem denunciar erros de raciocínio alheios e tal. Mas, ao invés, aproveitaram-se da falta de discernimento e de rigor de alguém que quis fazer sangue lá nos seus meios políticos e disso fizeram eco em proveito próprio, como se algo de brilhante e sério tivesse sido dito.

Mas não fiquem tristes pela falta de isenção demonstrada; tiveram a beneplácita companhia de Sua Exª o Senhor PR que, aos quatro ventos, também não se cansou de apregoar o dito ‘milagre’. E, com tal ênfase o fez, que até deixava transparecer que estava convencido do que estava a dizer.

Será que faltei a alguma aula de aritmética?

Ou o tio alemão já não me deixa saber fazer regras de três simples?

Agnóstica